quarta-feira, 24 de abril de 2013

Como devorar um elefante, o método aprendido com Dr. Edson Batista



Há alguns anos eu estava interessado em desenvolver um grande projeto internacional na iniciativa privada, algo que necessariamente levaria muitos anos para se concretizar, em função do cronograma das etapas e do número de pessoas impactadas pelo mesmo.

Para tornar este projeto realidade pedi a uma americana, amiga minha, naquele tempo diretora de marketing de uma influente organização internacional, que fosse minha coach (falarei de coaching outro dia) neste processo. Após aceitar o meu convite, ela indagou o que eu já havia planificado. Até aquele momento eu tinha um sonho um fluxo das etapas a serem cumpridas, muitas dúvidas de por onde seguir/começar e, disse a ela, uma coach. Ela riu, respirou fundo e me perguntou como eu faria para comer um elefante.

Perplexo. Esta é a palavra que melhor define como eu fiquei diante daquela pergunta esdrúxula, imaginei que ela tinha desistido e (absolutamente surpreendente) fiquei sem palavras.

Ela então me esclareceu que esta era uma expressão usual, depois de fato a ouvi diversas vezes, cujo sentido era que ninguém consegue comer todo um elefante de uma só vez então é necessário dividi-lo em diversas partes gerenciáveis.

Em gerenciamento de projetos isso é representado pela EAP (estrutura analítica de projeto) ou, em inglês, WBS (work breakdown structure) que nada mais é do que uma ferramenta de decomposição do trabalho do projeto em partes manejáveis. É estruturada em árvore exaustiva, hierárquica (de mais geral para mais específica) orientada às entregas (deliverables) que precisam ser feitas para completar um projeto. O objetivo de uma EAP é identificar elementos terminais (os produtos, serviços e resultados a serem feitos em um projeto). Assim, a EAP serve como base para a maior parte do planejamento de projeto. A ferramenta primária para descrever o escopo do projeto (trabalho) é a estrutura analítica do projeto (EAP).

Pois bem, o que Dr. Edson Batista tem com isso?

Ele percebeu que no poder público existem muitos elefantes para serem devorados e que um dos principais obstáculos para isso é a descentralização de recursos.

Aqui vai uma observação pessoal. Muitos acreditaram (e outros tantos ainda pensam desta forma) que o problema do poder público é falta de recursos, pois bem com cerca de 40% do PIB brasileiro este raramente é o problema. Outros tantos (e esta é a crença corrente) acreditam que o que falta não é recursos e sim projetos, estão muito menos errados a carência de projetos e muito mais a inadequação e a ineficiência dos mesmos é um dos grandes atravancadores da gestão pública, daí porque mais e mais órgãos públicos vem implantando seus PMOs (Project Management Office – escritório de projetos) como solução mitigadora desta dificuldade.

Voltando para Dr. Edson Batista. Se os recursos estão descentralizados, como executar o projeto? Parece simples, basta reunir os recursos. Ocorre que no poder público há uma variável, que dada à natureza deste setor é muito mais impactante aqui do que na iniciativa privada onde ela também existe, a agenda oculta dos diversos gestores ou simplesmente a vaidade, o egoísmo e aquele ímpeto de caranguejo que não querer que o outro se sobressaia.

Os Grupos de Trabalho instituídos por Termos de Cooperação Técnica. Eis aqui o que considero genial na solução desenvolvida por Dr. Edson Batista. Ao invés de simplesmente solicitar a cada gestor, detentor dos recursos necessários ao projeto, que o cedam para ele. O mesmo propõe a criação de um grupo de trabalho, por meio de um termo de cooperação técnica (quem pode se opor a isso, como ser contra cooperar – ainda mais tecnicamente, o que excluí recursos financeiros). E o que faz este grupo de trabalho? Mutatis mutandis ele desenvolve as bases do projeto a ser desenvolvido, elencando os recursos necessários e identificando onde obtê-los, ou seja, elabora a planificação do projeto, com a colaboração de todos os órgãos que participarão do mesmo, atraindo aliados nos respectivos órgãos (participantes do grupo de trabalho) e consequentemente garantindo o envolvimento dos mesmos com o desenvolvimento e o próprio sucesso do projeto que compartilhado, passa a pertencer a todos e goza de maiores chances de ser bem sucedido.

Os chineses tem um ditado que diz: “Toda longa caminhada começa com um primeiro passo.” Criar um grupo de trabalho que propicie o envolvimento nas atividades de planejamento e sucessivamente execução dos diversos atores (stackeholders) necessários para o sucesso do projeto, eis uma das lições que apreendi com Dr. Edson Batista.

No próximo post vou descrever a estrutura do termo de cooperação técnica cria usamos para criar os grupos de trabalho.

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